Foi ao nesta sexta-feira episódio que denuncia fome e miséria causada pelo avanço do agronegócio em territórios de povos tradicionais.

“Os cupe (homem branco) vêm enganando os mehim (índios) até aqui…”, diz a senhora. Ao seu redor, idosos, crianças, homens e mulheres indígenas que lutam pela sobrevivência em uma terra infértil, onde não há caça, o rio está poluído e qualquer contato com os serviços de saúde e educação estão há quase um dia de distância.

A cena revela a condição delicada que estas comunidades vêm atravessando, especialmente após a aprovação pelo presidente Michel Temer do parecer 001/2017 da Advocacia Geral da União (AGU), que determina a todos os órgãos do Executivo a aplicação da tese do marco temporal e a vedação à revisão dos limites de terras já demarcadas. Fome, miséria e extermínio são os resultados. Um verdadeiro genocídio indígena.

O assunto é amplamente explorado, entre outras críticas sociais e políticas, na série ficcional “O dia em que nos tornamos terroristas”, que estreou no Brasil na semana passada. No episódio que foi ao ar nesta sexta-feira, os jovens ativistas do coletivo Ocupai, viajando pelo país a bordo de uma kombi, passam por uma experiência espiritual e recebem a missão de ajudar uma aldeia que está passando fome. A mensagem guia a próxima ação deles, a sequência de várias intervenções políticas que viralizaram nas redes sociais.

 Na aldeia, Graco ouve a história de sobrevivente de massacre indígena ocorrido há cerca de 80 anos no Tocantins [FOTO divulgação]

Na aldeia, Graco (Breno Nina) ouve a história de sobrevivente de massacre indígena ocorrido há cerca de 80 anos no Tocantins [FOTO divulgação]

Os personagens ficcionais nos levam a depoimentos e registros reais da vida em aldeias indígenas negligenciadas pelo poder público, denunciando não apenas a instabilidade que sofrem na demarcação de suas terras, mas também as consequências das benesses concedidas à bancada ruralista e a expansão desenfreada dos agronegócios, que isolam aldeias e afetam o bioma destas regiões, impedindo até mesmo que a caça chegue.

Com cenas fortes e pinceladas também em outras discussões (os impactos mortais da irresponsabilidade de gigantes econômicas nas comunidades rurais e a exploração animal capitalista), o episódio promete dar voz à ancestralidade de povos indígenas e quilombolas, encorpando a discussão sobre a inconstitucionalidade do marco temporal, além de sensibilizar a população brasileira para as injustiças vividas por estes povos.

SAIBA MAIS

O Dia em que Nos Tornamos Terroristas
Dia/horário: sexta-feira, 4h
Canal: TV Cultura
Direção: Lucian Rosa
Elenco: Breno Nina (Graco), Nilce Braga (Rosa Parks), Tassia Dur (Clarinha) e Diones Caldas (Dyones)
Duração: 26 min
Produção: Gritos Produtora Audiovisual (MA)
Assessoria de Imprensa: Amy Loren (98) 98812-6035/ gritos.produtora@gmail.com