Partiu Pasárgada!
 
No dial da Rádio Lixão de Pasárgada só dá O Hábito da Força da filarmônica da cidade-poema de Bandeira. Com direito a fagote, clarone e um repertório popular que convida a pensar a contemporaneidade com um olhar crítico e bem-humorado, a Filarmônica de Pasárgada existe desde 2008 e já produziu dois discos somando três dezenas de músicas, lançou três clipes oficiais, foi premiada em sete festivais, têm parcerias com Tom Zé e o aval de gente como Luiz Tatit, Ivan Vilela, Guilherme Arantes, Gil Jardim e Aylton Escobar. 
 
Em 2014 a banda, que na verdade é paulistana, lançou um videoclipe poderoso para o funk Fiu Fiu (vídeo) presente no segundo disco da banda, o Rádio Lixão (2014). A canção é uma crítica que funciona como manifesto contra o assédio e o preconceito de gênero, tão presentes ainda na sociedade. No clipe, com participação de Laerte e Tom Zé, dá para ter uma ideia do humor sagaz da trupe e sacar que eles não estão para brincadeira. Afinal, seja em Pasárgada, em São Paulo ou aqui, a reflexão é séria, urgente e necessária.
 
 
No apagar das luzes deste 2015, a Filarmônica de Pasárgada anuncia sua mais nova empreitada: Algorritmos, seu terceiro disco que entra em fase de captação de recursos através de financiamento coletivo no site Partio. Para realizar o novo álbum e gravar o clipe da faixa Quem Procura, do primeiro disco O Hábito da Força (2013), a banda conta com a colaboração do público por meio de doações que vão de R$ 25 a R$ 8.000 sempre com contrapartidas espirituosas (Pet Pasárgada: levamos o seu animalzinho de estimação para passear (cachorro ou tartaruga) ou damos um banho no seu gato. OBS: não válido para cachorros das marcas Pudle ou Chihuahua e limitado à cidade de São Paulo e à animais vacinados :)” ou Amarração de amor: trazemos a pessoa amada de volta! (OBS: não válido para a pessoa amada que não queira voltar)”) e recompensas (discos autografados, camisas e pôster exclusivos, participação no videoclipe, ingressos…) para os fãs do grupo que apoiarem a iniciativa.
Filarmônica de Pasárgada é Paula Mirhan, Fernando Henna, Marcelo Segreto, Ivan Ferreira,
Maria Beraldo Bastos, Sérgio Abdalla, Gabriel Altério e Migue Antar.
Na divertida conversa abaixo, Marcelo Segreto – compositor, cantor e violonista da banda – nos conta sobre o nascimento da Filarmônica de Pasárgada, o processo de criação dos discos, as parcerias e a fase atual de preparação para o terceiro álbum.
 
1. Segundo informes pasargadianos veiculados no site da banda, a Filarmônica de Pasárgada surgiu sob circunstâncias suspeitas: “A banda foi formada em 2008 por alunos do curso de música da USP com o objetivo de interpretar as canções de Marcelo Segreto. Este conseguiu ludibriar os seus colegas de faculdade dizendo que o grupo ficaria famoso e que todos ficariam ricos em no máximo dois anos. Tendo feito pacto de sangue, de cuspe e de outras coisas que não vêm ao caso, os integrantes não puderam mais abandonar o projeto”. Vocês lembram quais argumentos, fora a promessa de fama e fortuna, foram usados pelo Marcelo Segreto para convencer cada um dos colegas a unirem-se a ele? E Marcelo, o que você estava procurando para pôr na banda em formação?
 
Marcelo Segreto: Pois é…rs O tempo passou e a fama ainda não veio…rs Então, brincadeiras à parte, a minha ideia sempre foi juntar os amigos da faculdade para formar um grupo para tocar minhas canções populares. Na USP só há o curso de música erudita, então o desafio era justamente tentar montar um grupo de música popular. Como eu tinha amigos que tocavam instrumentos muito variados, acabei chamando músicos que tocam instrumentos um pouco inusitados (fagote, clarone, laptop…). Acho que essa diversidade foi bacana para o trabalho.
 
2. Tanto em O Hábito da Força (2013) quanto em Rádio Lixão (2014) a identidade sonora e também visual da banda, se considerado todo o esmero comunicativo do projeto gráfico dos álbuns, comunicam o interesse por uma crítica que diverte e faz pensar. O humor irônico e inteligente é uma marca de Pasárgada. Comentem sobre o processo de criação do repertório – da composição aos arranjos e gravação. Os discos nascem como projetos temáticos ou tomam essa forma após certo ciclo produtivo de composições?
 
M.S.: Bacana a sua pergunta Talita. Sim, os discos nascem como projetos temáticos. O que estou fazendo agora, antes de compor as canções, é pensar num projeto, num fio condutor que norteie a composição das canções. Para o terceiro disco pensei na internet (um tema muito legal e rico). Depois desse, farei um disco sobre São Paulo. Acho legal esse lance de fazer o disco a partir de um tema. O Tom Zé também faz assim, né? Acho isso legal, pois o disco fica com uma unidade interessante. Além disso, ter um tema central sempre ajuda para inventar ideias de canções.
 
3. Em Algorritmo, novo álbum em processo de crowdfunding, a internet e a relação do ser humano com o computador serão o fio condutor de todo o repertório, que traz parcerias de Segreto com nomes como Tom Zé, Tim Bernardes (O Terno), Rafa Barreto, Caê Rolfsen, Tatá Aeroplano, Cacá Machado, Gustavo Galo, Julinho Addlady e Fernando Henna. Como surgiu o interesse por esse tema e como foi interagir com todos esses artistas nas composições? 
 
M.S.: Esse tema foi me surpreendendo ao longo do processo. É um tema muito rico, pois estamos na internet ou no computador todos os dias, todas as horas! Então, naturalmente, a internet faz parte da nossa vida de uma maneira muito intensa. Assim, há muitas e muitas possibilidades de reflexão e criação a partir disso. As parcerias surgiram justamente a partir dessa ideia de colaboratividade que é tão importante na internet.
 
4. A discografia da Filarmônica de Pasárgada guarda uma forma em comum: sempre 15 faixas gravadas no estúdio do selo Coaxo do Sapo sob produção musical de Alê Siqueira e projeto gráfico de Guto Lacaz. Contem-nos mais sobre essa parceria que se mantém firme por três discos. Ou a equipe teria ficado presa ao projeto pelos mesmo motivos que a banda fora formada em 2008 (risos)?
 
M.S.: Hahaha, boa! Essa é a ideia! Aprisionar a equipe pra sempre 🙂 Engraçado você tocar nesse assunto. Realmente, acho que é um jeito que gosto de trabalhar (compor 15 faixas). É um número legal de músicas, suficientes pra tentar abarcar a temática de cada disco. Sobre a equipe, são artistas e profissionais que admiramos tanto que sempre fazemos o possível para trabalhar com eles, pra sempre… 🙂
 
5. Sintam-se a vontade agora para convidar o povo a conhecer Pasárgada aproveitando para convencê-lo a apoiar a campanha pelo terceiro disco. 😉
 
M.S.: Galera! Vem pra Pasárgada com a gente! Precisamos muito do seu apoio moral! 🙂