Literatura Mútua indica livros de dezesseis escritoras para incrementar sua lista de leituras em 2017.

POR TALITA GUIMARÃES

Recentemente uma questão intrigante me chegou indiretamente pelo Twitter e foi se alojar naquele lugarzinho reservado às pulguinhas pequenas responsáveis por transtornos enormes. O amigo escritor Matheus Rocha compartilhou a quantidade de livros lidos em 2016 ressaltando o desejo de equilibrar suas leituras entre livros escritos por homens e mulheres. Imediatamente me dei conta de que desconhecia minha balança pessoal de autores lidos por gênero. Ao correr para contabilizar qual não foi meu espanto ao constatar que dos 27 livros lidos em 2016, apenas 10 foram escritos por mulheres.

E se o disparate que me assustou não soa estranho para você, a coisa definitivamente piora quando em rápida enquete no Facebook sobre quantas escritoras as pessoas leram em 2016, descubro alguns “nenhuma” como resposta. E isso vindo de leitores, que revelaram seu quantitativo de autores lidos.

Coincidentemente, tal inquietação me toma justamente no momento em que leio a coletânea de textos organizada pela Rosa Amanda Strausz chamada Elas por Elas – Histórias de mulheres contadas por grandes escritoras brasileiras, livro muito interessante que me chegou de presente pela sempre antenada Meiri Farias (Armazém de Cultura – SP). Em Elas por Elas, nomes importantíssimos como Nélida Piñon, Pagu, Lygia Fagundes Telles, Rachel de Queiroz, Ana Cristina Cesar, Maria Valéria Rezende e Livia Garcia-Roza, entre outras autoras, evocam a voz feminina na literatura falando sobre a condição feminina com uma legitimidade desconcertante e uma qualidade literária que desconstrói a ideia torta de uma literatura menor, pois feita por mulheres.

Desesperada por não me sentir só nesse incômodo, busquei na internet quem esteja discutindo o desequilíbrio da representatividade feminina na produção editorial e para meu alívio encontrei, além de artigos e pesquisas sobre o assunto, o interessante site Leia Mulheres, espaço de difusão da literatura feita por mulheres.

Aproveitando o momento, inauguro o Literatura Mútua Indica com uma série em quatro postagens sobre 16 autoras que moram na minha estante e cujas leituras considero altamente recomendáveis. Para começar, passearemos pela experiência de leitura de cinco livros da gaúcha de Ijuí Eliane Brum, uma das jornalistas brasileiras mais premiadas e importantes, com trabalhos também na literatura e no audiovisual. Na sequência, trarei cinco autoras maranhenses de gerações e gêneros literários distintos que nos dão uma boa ideia da literatura que as mulheres estão produzindo no Maranhão. Dando continuidade à série, mais cinco escritoras brasileiras cujas obras dialogam com todas as idades e fases da vida, da infância à maturidade. E encerrando a primeira série de publicações do LM Indica, cinco escritoras cujas vozes encontraram reconhecimento mundial na literatura contemporânea.

Confira abaixo o índice de postagens e acompanhe a série durante dezembro.

07.dez.2016: #01 – Nas entranhas do mundo com ELIANE BRUM (RS)

14.dez.2016: #02 – Literatura maranhense em cinco nomes: AURORA DA GRAÇA, JORGEANA BRAGA, LAÍSA COUTO, JÚLIA EMÍLIA e SABRYNA MENDES

21.dez.2016: #03 – Da infância à maturidade, literatura para todas as idades: GENI GUIMARÃES (SP), THALITA REBOUÇAS (RJ), JOUT JOUT (RJ), GABRIELA ABREU (SP), ELVIRA VIGNA (SP) 

28.dez.2016: #04 – Vozes femininas pelo mundo: MARJANE SATRAPI (IRÃ), ALICE RUIZ (PR), MIRANDA JULY (EUA), NÉLIDA PIÑON (RJ) e ANDREA DEL-FUEGO (SP).