SÃO LUÍS – A relação entre o sagrado, a natureza e a vida se iniciou com a montagem Tambow, patrocinado por edital da SECMA em 2012, e continuou com Flores, parceria com o poeta Fernando Abreu em 2014, e segue com o espetáculo A terra chora, que ocupa os palcos maranhenses durante todo o ano de 2017. Desta vez ocorre no dia 9 de março, no Museu Casa de Nhôzinho, às 19 horas, com capacidade máxima para 30 pessoas, sugerindo contribuição por parte do público no valor de R$ 20,00.

Baseado nas culturas que regulam suas vidas pela relação com a Natureza, os indígenas e os orientais, teve a proposta acolhida pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano. Com sua morte em 2015 a referência foi mantida na realização do Grupo Teatrodança que expõe, ao público, a relação profunda do indivíduo com a natureza e como os seres se conjugam para garantir a vida no planeta, fundamentada pela comunidade indígena Tremembé, município de Raposa, e as pesquisas de Gurdjieff, filósofo do autoconhecimento, em parceria com o Instituto Gurdjieff, em Belo Horizonte.

a terra chora

Com participação ativa no processo de montagem o cineasta e músico Ramusyo Brasil, acompanhado pelos musicistas João Simas e Luciano Linhares, foi decisivo para misturar as sonoridades rítmicas com as pesquisas de Gurdjieff e De Hartmann, em suas viagens a lugares inacessíveis, completando a qualidade estética das premissas dramatúrgicas que encarnam o permanente extermínio da civilização da compaixão.

A terra chora, uma epifania das formas de vida somada aos ensinamentos de culturas preocupadas com a alteridade, tem direção assinada por Júlia Emília e, além dela, o dançarino-criador Victor Vihen na atuação.

Grupo Teatrodança

O Grupo Teatrodança foi fundado em São Luís em 1985. A produção inicial, “Bar do Porto”, enfrentou o desejo de renovar, manter a disciplina técnica e o amor pela dança. Em seguida, vieram espetáculos como “Coração Terreiro”, “Poema”, “Sete Saias e Muitos Caminhos”, “Embarcações”, “Berlim-33”, entre outras.

A partir de 1998, o coletivo artístico investiga as questões do corpo e corporeidade na cena e dialoga com a antropologia e expressividade das tradições populares em “Bicho Solto Buriti Bravo”, uma parceria com o poeta Ferreira Gullar e o compositor Zeca Baleiro. A pesquisa recebeu a Bolsa Virtuose/Minc e fez intercâmbio de processos na Universidade de Buenos Aires, Danzario Americano e Fondación Río Abierto.

Ao longo das últimas décadas, o Grupo figurou na seleção de eventos culturais e editais, como Circo Voador Brasil, Fundição Progresso, FUNARTE, FUNAC, SEBRAE, BNB, BNDES, SECMA, SECTUR, Lume Teatro, Programa O Boticário na Dança, Festival de Dança de Joinville, Casa Mário Quintana, SESC- MA

Aldeias- Mostras- Feiras do Livro- Palco Giratório, Semana Maranhense de Dança e Teatro, Conexão Dança, SESC-PA Boulevard e Casarão do Boneco, LABORARTE, UFMA, FAPEMA.

PERFIS

Júlia Emília

Júlia Emília nasceu em São Luís, em agosto de 1954, e cresceu em meio aos batuques populares e sapatilhas clássicas que as exigências determinavam. Educadora licenciada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com formação diversificada passando pelos sistemas de Angel e Klauss Vianna, Ilo Krugli/Teatro Ventoforte, Tadashi Endo/ butoh-ma, Eugenio Barba e Julia Varley/Odin Teatret. Especialista em Reabilitação Motora, permanece afinada com a Faculdade Angel Vianna e a Fondación Río Abierto nas fundamentações sobre conscientização corporal e artes da cena. Com o Grupo Teatrodança, ela busca a corporeidade de ser brasileiro no corpo, na cena, na literatura, fundamentada nas raízes culturais, mas sem perder de vista as normas cultas e opta por formar multiplicadores entre segmentos excluídos. Suas criações, com aromas regionais, aproveitam a tradição popular mantendo os pés na atualidade, fusão de tons e ritmos com a densidade estrutural dos sistemas cênicos. A inquietude das suas propostas cênicas, com culturas tão diferenciadas encaradas como complementares, conceitua a estética de seus espetáculos e cursos livres.

Victor Henrique Vieira Nunes

Victor Vihen, criador-intérprete, artista do corpo, integra o Grupo Teatrodança desde 2010, atuando tanto como instrutor quanto como Secretário da Associação Cultural. Cursa Licenciatura em Artes Visuais na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Em suas práticas e estudos coletivos, o ator faz a correlação performática das artes plásticas com a dança e o teatro, as pesquisas do popular aliado ao contemporâneo e a curiosidade e o desejo de construir um corpo cada vez mais consciente, sendo selecionado para mostras e festivais, como a recente Ayala Criadores em Dança.

SERVIÇO

O quê: Espetáculo de dança-teatro ”A terra chora”

Quando: 9 de março de 2017, às 19h

Onde: Museu Casa de Nhôzinho, Praia Grande, Rua Portugal nº 185, fone 3218 9951

Capacidade: 30 pessoas

Contribuição sugerida: R$ 20,00

Contato: (98) 98888 0797 (Grupo Teatrodança)